Fernanda Ucha Advocacia
Fernanda Ucha
Advocacia e Consultoria
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Guarda e Convivência

O pai pode buscar guarda unilateral?

6 minutos
Pai segurando o filho pequeno com afeto em ambiente familiar acolhedor

Uma dúvida bastante comum em processos de guarda é se o pai pode solicitar a guarda unilateral dos filhos.

A resposta é sim.

A legislação brasileira não estabelece preferência automática entre pai e mãe quando o assunto é guarda. O principal critério utilizado é sempre o melhor interesse da criança ou adolescente.

Por isso, tanto o pai quanto a mãe podem solicitar a guarda unilateral quando entenderem que essa medida é necessária para garantir proteção, estabilidade e desenvolvimento saudável aos filhos.

O que é guarda unilateral?

A guarda unilateral ocorre quando apenas um dos genitores assume a responsabilidade principal pelas decisões relacionadas à vida da criança.

Nessa modalidade, o responsável pela guarda costuma tomar as decisões do dia a dia relacionadas a:

  • Educação
  • Saúde
  • Rotina escolar
  • Atividades extracurriculares
  • Questões relacionadas ao desenvolvimento da criança

O outro genitor normalmente mantém o direito de convivência e continua participando da vida dos filhos, salvo situações excepcionais.

A guarda compartilhada não é a regra?

Sim.

Atualmente, a guarda compartilhada é a modalidade adotada como regra pela legislação brasileira.

Isso acontece porque a lei busca incentivar a participação de ambos os pais na criação e no desenvolvimento dos filhos.

No entanto, existem situações em que a guarda unilateral pode ser considerada mais adequada para proteger o bem-estar da criança.

Quando a guarda unilateral pode ser considerada?

Cada caso é analisado individualmente.

Algumas situações podem justificar a análise da guarda unilateral, como:

  • Ausência prolongada de um dos genitores
  • Falta de participação nos cuidados da criança
  • Situações que coloquem em risco o bem-estar do menor
  • Dificuldades graves que inviabilizem a guarda compartilhada
  • Descumprimento constante das responsabilidades parentais

A simples existência de conflitos entre os pais nem sempre é suficiente para justificar a alteração da modalidade de guarda.

O pai possui os mesmos direitos da mãe?

Sim.

A legislação brasileira estabelece igualdade de direitos e deveres entre pai e mãe.

Por esse motivo, o pai pode solicitar tanto a guarda compartilhada quanto a guarda unilateral, desde que demonstre que a medida atende ao melhor interesse da criança.

A análise não é baseada no gênero dos pais, mas nas necessidades do filho e nas circunstâncias do caso.

Como o juiz toma essa decisão?

A decisão judicial leva em consideração diversos fatores.

Entre eles:

  • O vínculo afetivo com a criança
  • A capacidade de cuidado
  • A estabilidade do ambiente familiar
  • A disponibilidade para acompanhar a rotina dos filhos
  • O histórico de participação na criação da criança
  • As necessidades específicas do menor

Dependendo da situação, também podem ser realizados estudos psicossociais e outras avaliações técnicas.

A criança pode ser ouvida?

Dependendo da idade e do grau de maturidade, a opinião da criança pode ser considerada.

Entretanto, a vontade do menor não é o único elemento analisado.

A decisão sempre buscará proteger aquilo que for mais adequado para seu desenvolvimento físico, emocional e social.

É possível alterar a guarda no futuro?

Sim.

A guarda não é uma decisão definitiva e imutável.

Quando ocorrem mudanças importantes na realidade da família ou quando a modalidade atual deixa de atender ao interesse da criança, é possível solicitar sua revisão judicial.

Cada pedido será analisado conforme as circunstâncias existentes naquele momento.

Conclusão

O pai possui o direito de buscar a guarda unilateral quando entender que essa medida é necessária para proteger os interesses do filho.

No entanto, cada situação exige uma análise cuidadosa e individualizada, sempre considerando o melhor interesse da criança.

Se existem dúvidas sobre guarda, convivência familiar ou responsabilidades parentais, a orientação jurídica especializada é fundamental para compreender os direitos envolvidos e avaliar a melhor estratégia para o caso.

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